TPM NÃO É FRESCURA
- Klages Therapy
- 9 de ago.
- 5 min de leitura
Atualizado: há 6 dias

Saúde Emocional, Equilíbrio e o Papel Fundamental da Rede de Apoio
Você já sentiu que, em certos dias do mês, suas emoções simplesmente não cabem dentro de você? Ou, se você convive com uma mulher, já percebeu que a fase da TPM parece transformar a dinâmica da casa? A TPM não envolve só sintomas físicos, ela também afeta as emoções da mulher
O Que Acontece Por Dentro? (Não é só hormonal, é emocional)
A TPM envolve uma queda brusca de hormônios (estrogênio e progesterona) que afeta diretamente a produção de serotonina o neurotransmissor do bem-estar.
Quando falamos de TPM Intensa (ou até do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual - TDPM), não estamos falando de um simples mau humor. Estamos falando de:
Ansiedade severa;
Tristeza profunda ou sensação de desesperança;
Irritabilidade extrema e pavio curto;
Fadiga mental e física.

A Explicação da Neurociência:
Para a neurociência, os sintomas emocionais e cognitivos da TPM (irritabilidade, ansiedade, sensibilidade exacerbada e fadiga) não decorrem apenas de hormônios flutuando no corpo, mas do impacto direto que essa oscilação provoca no funcionamento dos neurotransmissores e nos circuitos neurais.
A Queda do Alopregnanolona e a Ansiedade (Receptores GABA): Após a ovulação, a progesterona atinge um pico e depois cai drasticamente se não houver fecundação. Um de seus derivados é o alopregnanolona, uma substância que atua como calmante natural nos receptores GABA (o principal sistema inibitório e relaxante do cérebro). Quando o nível de alopregnanolona despenca, o cérebro perde seu amortecedor de estresse natural, gerando hiperalerta, inquietação e irritabilidade.
A Conexão com a Serotonina: A queda brusca do estrogênio interfere diretamente na síntese e disponibilidade da serotonina (responsável pelo humor, sensação de bem-estar e regulação do apetite). Isso explica a vulnerabilidade ao choro, a sensação de desânimo, a névoa mental e o desejo intenso por doces/carboidratos (uma tentativa do cérebro de sintetizar triptofano para elevar a serotonina).
Amígdala Hiper-reativa e Menor Controle Pré-Frontal: Estudos de neuroimagem mostram que, na fase lútea tardia, a amígdala (o centro de detecção de ameaças e respostas emocionais rápidas) torna-se muito mais sensível, enquanto a comunicação com o córtex pré-frontal (responsável pela autorregulação, paciência e filtro cognitivo) fica temporariamente enfraquecida. Pequenos estímulos do cotidiano passam a ser interpretados como grandes sobrecargas.

Nota importante: Validar esses sentimentos é o primeiro passo. A mulher não escolhe se sentir assim; é uma resposta fisiológica do corpo que afeta a mente.
A Minha Experiência Pessoal: O Respeito ao Ritmo do Corpo
Falar sobre isso também é falar da minha própria história. Eu tenho TPM muito intensa e vivencio isso na pele. A verdade é que o nosso corpo muda ao longo da vida: após o parto dos meus filhos, a minha TPM mudou drasticamente.
Durante essa fase do meu ciclo, chego a ter dias em que fico praticamente impossibilitada de trabalhar, precisando me dedicar exclusivamente a cuidar de mim mesma.
A TPM precisa e deveria ser mais respeitada na nossa sociedade. Trata-se de um momento delicado, um momento sagrado da mulher com ela mesma. É a hora de olhar para dentro, reconhecer os limites do próprio corpo e entender que a pausa é uma necessidade legítima.
Como Lido com a Minha TPM: Vivendo os Sentimentos
Quando a dor física e a sensibilidade emocional se intensificam, a minha escolha é não lutar contra o que sinto, mas sim dar vazão a essas emoções de forma consciente:
Eu vivo os meus sentimentos: Se sinto vontade ou necessidade, eu escrevo, danço, canto e coloco essa energia para fora.
Mapeamento e Ação: Quando percebo que o estresse ou a ansiedade podem me prejudicar, busco ajuda e utilizo ferramentas para trabalhar e autorregular essas emoções.
Rede de Apoio Familiar: Os meus filhos aprenderam a entender e respeitar esse período. Quando a minha TPM está mais intensa em dor ou sensibilidade, eles me acolhem, o que cria um ambiente de respeito e empatia dentro de casa.
Estratégias para o Equilíbrio: O Autocuidado
Se você sofre com a TPM intensa, o objetivo não é "curar" magicamente, mas sim gerenciar os sintomas para não sofrer tanto. Aqui estão pilares fundamentais:
A Alimentação como Aliada: Reduzir o sal (para o inchaço), a cafeína e o álcool (gatilhos de ansiedade) ajuda muito. Aposte em alimentos ricos em Triptofano (cacau, banana, aveia) que ajudam na produção de serotonina.
Movimento é Remédio: Mesmo sem vontade, uma caminhada leve libera endorfinas que combatem a dor e a tristeza.
Gerenciamento do Estresse: Técnicas de respiração, meditação ou simplesmente se permitir descansar mais nesses dias não é luxo, é necessidade de saúde.
Rastreamento do Ciclo: Use aplicativos para prever quando a fase lútea
(pós-ovulação) começa. Saber que aquela tristeza repentina tem data para acabar traz um alívio mental enorme.
O Guia do Parceiro e da Família: Como Apoiar de Verdade
Muitas vezes, parceiros e familiares querem ajudar, mas acabam piorando a situação com frases como "Você está nervosa, deve ser TPM". Isso invalida a dor.
Para quem convive com alguém que tem TPM intensa, o papel não é "consertar" a mulher, mas sim criar um ambiente seguro.
O que NÃO fazer:
Jamais perguntar se "tá naqueles dias" em tom de deboche durante uma discussão.
Não levar as reações extremas para o lado pessoal (lembre-se: é o desequilíbrio químico falando mais alto).
Não tentar resolver os problemas com lógica fria quando a mulher está em crise de choro ou raiva.
O que FAZER (Ações Práticas):
Acolhimento Sem Julgamento: Às vezes, tudo o que ela precisa é de um abraço e ouvir: "Eu vejo que você não está bem, estou aqui com você."
Reduza a Carga Mental: Se você sabe que ela está na semana crítica, assuma proativamente mais tarefas da casa ou o cuidado com os filhos. O estresse externo piora muito os sintomas internos.
Paciência Extra: Entenda que a irritabilidade é um sintoma, não um traço de personalidade. Respire fundo e evite escalar conflitos.
Incentive o Tratamento: Se a TPM impede a vida normal, incentive (com carinho) a busca por ajuda médica e terapêutica.
Não é Frescura, É Saúde e Autorespeito
A TPM intensa é um desafio de saúde emocional que merece respeito, investigação e cuidado. É o momento de a mulher olhar para si mesma, respeitar os seus limites e jamais aceitar a ideia de que a sua dor é frescura ou exagero
Se você percebe que a sua TPM está além do controle ou muito dolorosa ou desestabilizando as suas emoções , procure ajuda. Buscar acompanhamento ginecológico e terapêutico é um ato de amor próprio para recuperar a sua qualidade de vida física e mental.
Quando a mulher se conhece, se respeita e a família entende ,que o apoio faz parte do processo, o ciclo deixa de ser um campo de batalha e se torna um momento de cuidado, escuta e evolução mútua.

by Jana Leal Klages | Terapia Integrativa & Neurociências Registro Profissional BR: CRTP 9528 Registro Internacional: ITR 22762

nossaaa que post maraaa, voce disse diretamente, tudo oque tem acontecendo comigo, ficou claro as explicacoes, achei muito legal, ver no desenho qoue acontece com o cerebro, muito Interessante. vou compartilhar
seu post veio na hora certa, tenho tpm muito intensa, ler mais sobre me ajudou muito a entender, vou compartilhar com meu marido.